Desde 1906 considerada município, passou, em 1944, a ser chamada de Itapecerica da Serra, com o objetivo de distingui-la de município homônimo no Estado de Minas Gerais. Esse segundo nome faz referência à situação geográfica do município, localizado em uma unidade de Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudoeste (ROSS, 1996). No geral, as serras do sudoeste têm um embasamento granítico, e em Itapecerica não é diferente. A estrutura granítica sobre a qual a cidade foi erigida teria representado um problema quanto ao abastecimento de água. A construção de uma caixa d'água em um dos pontos mais altos da cidade amenizou esse problema, pelo menos por um período. Mas por outro lado, a ausência de rede de esgotos perdurou até os nossos dias e, com o aumento da população, essa questão ficou agravada.
Um reaquecimento econômico de Itapecerica será notado devido à demanda crescente de combustíveis para a capital paulista, muito acentuada por ocasião da Segunda Guerra Mundial. A produção de carvão vegetal passou a ser a principal atividade econômica, mas teve como conseqüência uma aceleração dos desmatamentos em Itapecerica e região. Em todo o percurso entre Itapecerica e Miracatu podiam-se observar eucaliptais e, embora alguns tivessem sido introduzidos com fins de reflorestamento, a maioria tinha fins comerciais. Pontuavam-se, também, serrarias que atraíam tanto mão-de-obra local como de imigrantes mineiros e baianos. Positivamente, a atividade carvoeira teve como conseqüência o aumento do tráfego de caminhões e de todo o comércio a ele relacionado. Resultou em melhorias nas vias de acesso, possibilitando a criação de linhas de ônibus e lotações.
Uma outra atividade de importância na região eram as olarias, que se estabeleciam nas várzeas onde se acumulam argilas. A mão-de-obra local, além da tração animal, era suficiente para esses empreendimentos e quase toda a produção de tijolos era vendida para a capital paulista, levada por caminhões. Os proprietários das olarias eram, se não brasileiros, espanhóis ou italianos e, diferentemente dos proprietários de granjas e sítios de recreio, residiam no local.
A atividade mineradora também já estava presente nesse período. A exploração de caulim, de areia, além das pedreiras que exploravam os afloramentos rochosos, era uma constante na paisagem. Apesar disso, essas atividades não chegaram a estabelecer povoamentos em seu entorno, pois não exigiam mão-de-obra numerosa.
Os sítios de recreio multiplicaram-se nos anos 30 e 40. As altitudes, em torno de 930 m, e as matas ainda preservadas proporcionavam (e ainda proporcionam) um clima bem mais ameno que o da capital; as paisagens amplas, as vertentes íngremes que conferiam ao centro um caráter de acrópole; tudo isso atraiu muitos paulistanos com algumas posses, favorecidos também pelas boas vias de acesso, seja pelo Embu ou por Santo Amaro. Esses sítios de recreio eram geralmente propriedades bem cuidadas, ajardinadas, com belas residências, às vezes sede de alguma fazenda que fora restaurada. Normalmente as propriedades eram cortadas por córregos ou abrigavam nascentes de água. Não raro também dispunham de quadras esportivas, pomares e algum cultivo.
Apesar de não terem fins comerciais, os sítios de recreio podiam dispor de hortas, criação de porcos ou aves. Eram administrados por caseiros e mantidos por empregados agregados ou diaristas. Os caseiros eram geralmente brasileiros, portugueses ou italianos e o bom nível de vida que logravam requeria bons salários dos proprietários. Eram grandes as despesas das famílias paulistas para manterem essas propriedades, que eram desfrutadas apenas nos finais de semana. Esse fato, associado à pressão dos loteamentos que já atingiam o Capão Redondo e avançavam em direção à Itapecerica beirando as vias de acesso, fez com que esse tipo de propriedade fosse diminuindo gradativamente. No final dos anos 50, o número de sítios de recreio já diminuíra consideravelmente. O exotismo da paisagem também diminuía, acompanhando a tendência de um novo tipo de ocupação.
Uma cooperativa agrícola foi criada logo após a Segunda Guerra, precisamente em 1947. Apesar de Itapecerica não ter, como Cotia, uma forte vocação agrícola (apenas 9% do território municipal era cultivado), as hortaliças, ovos e aves procedentes das áreas rurais circunvizinhas abasteciam um Mercado Municipal. Este mercado, embora de instalações modestas, supria toda a região que abrange São Lourenço, Juquitiba, Aldeinha e Embu-Guaçu. O Embu, por razões históricas e de acesso, estava mais ligado à Cotia do que à Itapecerica.
O Mercado Municipal funcionava aos domingos, o que gerava um movimento extra na cidade. As pessoas vinham do "sertão" para fazer compras e assistir à missa.
A cidade continuou expandindo-se, preferencialmente sobre os interflúvios, evitando as encostas mais íngremes, onde a dificuldade de ocupação ajudou a preservar matas densas e capoeirões bem desenvolvidos.
Em 1959 foi criada a Comarca de Itapecerica, englobando os atuais Municípios de Embu, Embu-Guaçu, Juquitiba e Taboão da Serra, todos estes desmembrados posteriormente do Município de Itapecerica da Serra, além de São Lourenço da Serra (emancipado em 1993).